Bate e Rebate

- Adoro saco plástico azul - Não penso em sacos plásticos.
- Devoro chocolates - Gosto de devorar, coisas cobertas com chocolate
- Não tenho o celular que eu quero, nem o laptop ou MP1000 - Tive o melhor celular, o melhor laptop e o melhor amante. Todos um dia deixaram de funcionar.
- Guardo objetos em caixas - Guardo gatos em caixas
- Odeio prateleiras - Amo minhas prateleiras de livros
- Adoro filmes - Amo filmes e meu irmão cinéfalo. 
- Odeio ser humano (cansada de interagir) - Consigo odiá-los na interação, e amá-los na teoria
- Tenho amigas insanas - Acho a maioria de minhas amigas normais demais
- Tenho um monza 85 - Tenho um pálio 2010, com problemas no freio
- Gosto de música barulhenta - Gosto de música que me faça viajar
- Como chocotone - Bebo Champagne
- Crio hábitos regulares, como almoçar nos mesmos lugares - Crio hábitos regulares. Fumo todos os dias, em qualquer lugar
- Me canso de viajar - Estar no mesmo lugar me enfastia 
- Fico tensa em estradas - Me sinto livre nas estradas,muito som e vento batendo na cara.
- Odeio bancos (instituições financeiras) - O inferno é assistir a propaganda deles
- Guardo todos os bilhetes que ganho - Os únicos bilhetes que guardo são os de loteria
- Adoro filosofia - Amo a filosofia, com toda a força de minha alma
- O meu brigadeiro é o melhor - Porque você não comeu o da minha irmã
- Adoro fazer bolos - Adoro preparar um jantar romântico
- Amei amamentar (melhor profissão) - Me arrependerei por não ter sido mãe, talvez por causa da profissão
- Odeio aquela empresa - Se existe algo maior que ódio é o que sinto por aquela empresa
- Amo meus amigos - Nada na vida pode ser melhor que amigos
- Fumo - Fumo exageradamente
- Preciso comprar um imóvel - Quero comprar vários
- Não gosto de brigas de família - As brigas de família me tornaram uma pessoa melhor
- Acho que o universo me acusa - Os homens me acusam, o universo me acolhe.
- Quero ir à Europa - Queria ter nascido na Grécia Clássica ou na Roma do Império
- Preciso descansar - Preciso me mexer
- Fico feliz quando estou em casa - Enalteço o raro lugar do privado
- Brinco de dançar - Brinco com tudo, inclusive com a vida
- Uso o mesmo brinco por meses - Usei o mesmo vestido em 5 finais de ano
- Odeio relógio, batom e frio - Adoro relógio, batom e calor
- Pizza, como toda semana - Pizza, como quase todo dia
- Gosto do meu corpo - Amo meu corpo, mas com ressalvas... precisa de reparos
- Não como mais as unhas e nem urino na cama - Fumo para não comer as unhas e se continuar a beber a noite um dia vou urinar na cama.
- Mantenho amigos verdadeiros e não verdadeiros por muitos anos - Tenho amigos verdadeiros que não falam comigo a anos. Tenho amigos falsos que insistem em falar comigo todos os dias
- Roubo a caixa de fósforo da cozinha da minha mãe - Roubam meu isqueiro do meu maço de cigarros
- Odeio emprestar dinheiro e ter que cobrar - Não empresto dinheiro para não ter que cobrar
- Amigos passam - Amores passam
- Não compreendo noivados neste século - Nunca compreendi casamentos, nem neste século, nem no anterior
- Não concordo com contrato de casamento - Não concordo com união que não é pra sempre
- Não uso ferro de passar - Só compro roupa que não precisa passar
- Salão de beleza só pra fazer as unhas - Salão de beleza só no último caso
- Adoro dor de dente - Meu dentista me cantou
- Leitura é essencial - Leitura é vital
- Gosto de dirigir 2x por mês - Comecei a dirigir aos 33... e não paro nunca mais
- Preciso ficar no mesmo lugar por mais de 12 horas - Preciso dormir por no mínimo 12 horas
- Amo objetos antigos - Amo a nostalgia
- Coleciono notas de 100 - Coleciono papel de carta
- Coleciono moedas de 5 - Coleciono porta copos de chopp
- Coleciono o necessário - Gostaria de conseguir me desfazer até do necessário
- Odeio dinheiro, religião - Gosto do dinheiro. Minha espiritualidade me confunde
- Desisti da Raquel - Pensei que tinha desistido da Ruth
- Amo minha filha - Amo meu falecido pai
- Cunhadas não acrescentam em nada - Cunhados sugam
- A Silvinha cansa mas precisa de mim - Ás vezes não me suporto, mas preciso de mim.
- Minha mãe devia ser pra sempre - Todos que amamos deveriam ser pra sempre
- Meu avô também - Mesmo os que estão distantes
- Ninguém consegue me surpreender - Quando acho que tudo sei, descubro que nada sei.
- A Laura não fala direito no telefone quando está com saudades - A Liliane fala muito no telefone, mesmo sem saudades
- Brigava com a minha avó - Quase não conheço minha avó
- Minha infância, cheiro de condimentos no Mercadão de Madureira - Minha infância, cheiro de presunto no trilho do trem do Riachuelo.
- Ouvia a hora do Brasil pisando nas cascas de alhos - Ouço horário político, comendo fatias de pizza
- Não bebo refrigerante no avião - Bebo água de coco na praia
- Converso com mendigos, chatos e loucos - converso com músicos, artistas e intelectuais, todos loucos. 
- Adultos são crianças para sempre - As crianças de hoje, são adultos desde sempre
- Velhos (adoro) Quero sempre levar pra casa - Velhos me lembram meu pai, que morreu novo demais, aos 70
- Velhas não - Velhas me lembram a mim mesma, que vive de menos, aos 30
- Tenho preguiça de escrever - Escrevo porque tenho preguiça de agir
- Valorizo atitudes determinadas (certas ou não) - Ás vezes me confundo, com o que devo valorizar ou não.
- As pessoas são volúveis - As pessoas são constantes na inconstância.
- Odeio quem fica bêbado - Odeio a sobriedade disfarçada
- Odeio poeira - Odeio saber que é para lá que vamos
- Gosto de correr com minha filha pela rua - Quando voava, queria correr pela pista de pouso, sozinha e nua.
- Picnic devia ser obrigatório - As coisas simples da vida deveriam ser nossas exigências
- Arte é essencial - Música é vital
- Preciso falar constantemente - Preciso cantar frequentemente
- Adoro o silêncio - A introspecção é o maior motor da criação
- Não tenho paciência com animais - Os animais são os melhores amigos, e isso inclui as pessoas que chamamos de animais
- Não tenho tempo pra mim - Me canso de estar comigo
- Estou longe da música - A música corre em minhas veias
- Quero tatuagens - Quis que um homem tatuasse meu nome no peito
- Adoro comprar anel, óculos e bolsas (Exclusivamente) - De acordo em tudo. Sou mulher, poxa!
- Quase não corto o cabelo - Estou em mudança constante
- As pessoas precisam mudar mesmo que pra pior - Se mudar, sempre é para melhor
- Adoro show de rock - Adoro show de MPB
- Não gosto de teatro - Adoro a tragédia 
- Não sei nadar - Me aventuro no mar, com respeito
- Não tenho tênis - Tenho muitos sapatos de salto
- Moro na mala - Moro na lua
- Adoro bonecas - Já quis ser a boneca de alguém
- Amo a memória de minha filha - Sempre amarei a memória do que presta
- Gosto de janela sem cortina - Preciso da cortina, ando com roupa de baixo
- Odeio claridade - Odeio céu acinzentado
- Odeio comprar presentes obrigatórios - Odeio dar presentes obrigatórios
- Odeio ganhar presentes - Adoro regalos que me surpreendam
- Adoro conversar e fumar - adoro cantar e beber
- Meu tesão é passageiro - Meu amor é eterno
- Não me permito relaxar - Só o mar para curar minha ansiedade
- Durmo em horários determinados por mim - Não tenho hora para dormir
- Odeio dormir de dia - A noite é uma criança

Texto: As primeiras afirmações são de uma amiga, as quais rebato.
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Adapte-se


Invente uma personalidade, se é que isso é possível!
E a transfigure na face, no conjunto que será apresentado.
Ela deve superar o adaptável, para ser de fato, adaptada.
As particulares a ela pertinentes, devem ser cuidadosamente moldadas.
A forma, é aquela aceita, ajustada ao que o entorno percebe como real e legítimo. 
Configure um estilo de vida de acordo com as classificações em vigor,
que por mais múltiplas se apresentem, são na verdade polarizadas em precisão:
Saudável ou doente; bem sucedido ou infeliz;
Informado ou alienado; intelectual ou ignorante;
Hetero ou homo; feminista ou machista;
Trabalhador ou vagabundo; corrupto ou virtuoso…
Se extenso demais a ponderar, na síntese:
Merecedor simplesmente… ou indigno!

Use qualquer aposto ou seu oposto. O que melhor te aprazer!
Considere sempre uma especificidade e seu contrário… e escolha.
Não acredite na versão corrente do tudo válido.
Nela você não cabe e nem vai querer caber.
Na medida em que compreende que igualdade na multiplicidade é domínio da farsa.
Para cada tribo há uma regra, para cada faceta subjetiva uma identidade lapidada.
E por mais prisional que te pareça a sensação do ajuste compulsivo,
é a este cárcere que vai preferir se render.
Porque antes o adestramento de todos, à liberdade de um só.
Antes o comum, ao estranhamento do que te parecerá, o ouvido que não te escuta,
o olhar que não te vê!
Solidão.

Acredite-me quando digo que não há fuga.
Se não for o estranho a controlar tuas habilidades de adequação,
será você mesmo a inspecioná-las, criticar sua eficácia… e punir a própria deformidade.
O tempo é que não será aquele a apaziguar tua dúvida ou padecimento.
Não ele, que funciona como uma ciência exata,
abrigando somente o que cabe num espaço de exatidão factível, quase matemático;
permitindo somente o que se encaixa na geometria perfeita de uma época.
Para quem tenta ser um transeunte errante em sua época, digo!
Não brigue com o tempo!
Porque apesar dele não estar menos a teu favor do que de si próprio
Será sempre a perfeita conjunção das forças que nunca te dará ouvidos.
ADAPTE-SE!

Texto: Luciane Trevisan Leal

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O Grito... que não é pintura


Insegurança, que seja momentânea, parece paródia na boca dos ditos otimistas.
Estes, serelepes, fingem não observar as vidas que se destroçam diante de seus olhos. 
Tão incisivas são as fontes de suas certezas…
E de tão disfarçadamente vibrante sua vivência, aparentam estar incólumes ao acaso.
Isto somente ostentam, claro!
Porque ninguém escapa aos eventos imprecisos do tempo.
São estes os que me dizem: Você? Tão entusiasmada na vivência cotidiana!
E na mesma medida tão desencorajada quando se expressa na escrita?
Aos que respondo: cada um com sua válvula de escape.
Que a minha resistência ao acaso possa ser declarada por esta ferramenta de linguagem.
Assim ao menos, posso me tornar menos incômoda aos que prezo.
Permitirei a eles o direito, diga-se de passagem muito bem vindo, de optar por não me ler!

Todos têm seus momentos de desesperança.
Até nos valemos das possibilidades de atuação no frágil tablado da vida!
Nele, há figurino desenhado para revestir sentimentos que nos permitem conviver.
O cenário é atrativo, penso! Mas tornar a vida uma eterna encenação de postura condigna?
De simulada posição de mediação para com o que não nos convence?
Isso me nego a fazer, ou ao menos tento... e me reservo esse direito!
Poderia descrever aqui as razões para a desesperança, que reitero, são momentâneas… 
Assim como tudo na vida!
O leitor deve estar se perguntando quais são elas. Mas não importa!
Mesmo porque, isto faria desta leitura algo ainda mais chato que o pessimismo implícito.
A cada um já lhe basta seus motivos para não esperar algo.
E a estes “o cada um desconhecido” não importa mesmo…
no que consistem meus profundos e sombrios buracos da não espera no espaço-tempo.

O que fica então é somente a ideia de me comprazer destes.
Os que como eu, não se interessam em ocultar seus momentos de desgosto.
Estes também encontram alguma maneira de gritar aos quatro ventos o grito silencioso. 
Pode estar na leitura, na escrita, no canto, na arte de forma geral…
Pode estar nas horas e horas diárias de trabalho, nas compensações do consumo…sei lá!
No que quer que seja, o que importa?
Sem vitimização, o fato é: o grito se abafa por detrás de alguma coisa…
e está em todo lugar.

Texto: Luciane Trevisan Leal



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