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Morte


É Sombrio lugar que desconheço
Acontece na dúvida,
na aurora de um limite denso

Inóspita, nada ali é germinado
Incógnita, permanece solo calado
Inverno eterno, tempo seco

Perfura a vida com navalha
Se aloca no peito e por dentro se espalha
Dor que causa, paz que ás vezes calha

É interruptor da alma que se apaga
Inerte deixa o corpo que nada afaga
Se espalha pelo mundo feito praga

A ela não devo respeito
Não me interessa lugar que não é do meu preito
Ignoro que é única verdade... e está feito

Já que cega uma vista para outra deixar ver
Extingue a chama que deixa de acontecer
Não terá meu apreço, o que me causa não mereço

Caio no mundo e finjo que a desconheço
Me aventuro nos meus abusos, reconheço
E que serei dela simplesmente... esqueço

Texto: Luciane Trevisan Leal

(Com registro de propriedade intelectual)

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Visita


Alguém aparece frequentemente
E insiste permanecer um milésimo de segundo
Seu adeus nessa curta passagem de tão irresponsável
Transtorna, confunde, deixa inconsolável
Pois antes de sua saída, o tempo retorna
Deixando fissuras em meu universo presente
Memórias de convicções passadas,
Nunca esquecidas, acredita-se superadas, amadurecidas

A visita, sem nenhuma força contrária
Reafirma a suspensão da segurança pregressa
Na forma de nostalgia de um tempo
em que a dúvida não era uma regra
Desarranja o tempo de hoje
A quase arte da vida que pode ser percebida
por mais que não completamente vivida
Nem por isso menos segura e querida

O estrago que faz é doença da alma
Pois remonta ao não mais existente
Que por isso mesmo não acalma
Só faz confrontar o intento de negar
Faz sentir o repleto de uma outra
De um tempo que faz alusão à verdades
nunca negadas, nunca comparadas
Simplesmente prontas e acabadas

A visita traz à tona uma certa inocência
Na figura do que se tinha por decência 
Na ideia do sagrado adorado, amado
que pela mentira da vida do homem fora estragado
Por mim negado, desacreditado
O sagrado que vem para insistir interpor-se aos meus passos
Na forma de uma construção humana intolerante e inquisitiva
Que quer se fazer presente, convincente, requerente

Essa bagunça no meu arrumadinho incerto
Que parece ser o que tenho de certo
Causa confusão que me atormenta e não movimenta
Me embaralha o querer e o que de fato poder
É A visita da outra tão frequente
Que se mistura ao eu de hoje e constrói um outro ausente
Que se confunde ao decidir e no como agir
Me tirando da ignorância exequível, fazendo querer uma verdade impossível


Texto: Luciane Trevisan Leal

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O Verdadeiro sobre a Verdade


O homem só o é no mundo
O mundo só o é no homem
Verdades são do mundo
Verdades são dos homens

O Mundo cria seus homens
Homens criam seu mundo
O mundo desvela sua verdade
A verdade desvelada revela o homem

Revelada a verdade do homem
Reafirmada é a verdade do mundo
Não há mundo sem a verdade do homem
Não há homem sem a verdade do mundo

O homem não é o que parece, mas permanece
O mundo só é o que ao homem lhe parece, e permanece
Mas a verdade que ao homem aparece
é o que de fato perece

Texto: Luciane Trevisan Leal


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A Imagem



Essa imagem que já não te apraz, vai que se desfaz?
Num milésimo de tempo… não se recupera mais
Essa imagem de si que falo, que pouco te participa de fato,
Certamente para os outros, te dignifica no ato


Nela tu não és por inteiro
mas para o mundo é o que há de verdadeiro.
Desfazer-te dela agora é grande erro,
é através dela que a ti consideram com esmero.


Dada à morte, pode tornar-te refém… da má sorte
Já que ela é teu suporte, teu passaporte.
Por mais que a tenha edificado num engano primeiro
Que te faz agora revogado, anulado, quase que por inteiro.


Conserto não há, o desastre já está
Da ilusão que erigiu esconda o desencanto que emergiu
É o melhor a fazer, conveniente aos outros parecer
Assim ninguém lê, o que em si, nem você direito vê


Texto: Luciane Trevisan Leal
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Poema da Vida Contida


Se passo desapercebida reclamo do engano
de quem não me lê, não me vê, não me crê
Mas sinto tensa a minha postura às avessas
o impacto de um fim que é causa, e também pausa de mim.

Quando venho chegando, me apresentando
me sinto me entregando demais, me mostrando demais… contrariando demais
Minha estrutura incontida me acusa, causa recusa
Incômodo atiça, à tolerância necessária… preguiça

É que com a regra me indisponho, nela me contraponho.
E todos notam minha destemperança, e anotam para cobrança
Ainda assim insisto no confronto com meu tempo, sem calma, mas com alma.
Amando o que me seduz e desprezando o que me reduz

A loucura me vê e bate palma, a normalidade quer resgatar e mata minha alma.
Homens-deuses construídos me dizem e negam, o que meus pedaços mortais contradizem e agregam
Me vejo entre eu e eles, perdida, desiludida. Alguns podem dizer até possuída.
Mas considero demônios que inventam e atacam, verdades que me inflamam e arrematam

A medida dos homens, sua balança, minha compreensão não alcança
E passo pelos vícios, me entregando aos solstícios.. e à suplícios.
Vivendo com medo do corte da vida, do negro da morte, do norte de minha sorte
Negando a paz que minha mente pede e minha incapacidade me impede

Convenções já não me cabem mais, devo dizer, normalidade disfarçada me esvazia o ser.
Então, da enfermidade que pensam me definir, escancaro a ferida. E crio o poema da vida contida
Exercito centralizar o passo, para tentar viver bem… o descompasso
Que tenta se encerrar numa sensação de contínua partida, que me abre ao mundo, mas também me leva ao fundo.

Me fixo então na esperança, da criança, que tudo alcança
Ainda me surpreendo, me compreendo e pouco me repreendo.
Deixo a paixão ainda mover, absorver, e no meu caminho por completo me envolver
Para assim deixar de me conter, não me suspender, e simplesmente viver e ser

Texto: Luciane Trevisan Leal
(Poema com registro de propriedade intelectual)


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A Pessoa do teu Amor





Que te encha de alegria, remodele teu dia, que o transforme no lugar do paraíso.
E que não tão em vão, quanto te parece, deixe passar o tempo.
Mas te faça experimentar, no meio do caos, a metamorfose.
Que da certeza faça a dúvida, promova o lampejo de curiosidade
já que esta última é o motor da existência, quase uma razão inconsciente da vida.
Que da mesmice não se deleite, pois que traga o ardor da novidade

Que mantenha a brasa a queimar, senão, que seja a verdadeira labareda.
E nas relíquias do corpo, em seu pleno domínio, faça reverberar os desmandos da alma.
Que te surpreenda com a impetuosidade de sua vontade
Que te requisite no prazer ou na dor, cultue tua presença.
A ti que não engane, com o compromisso do para sempre,
Pois dessa possibilidade vale mais a fantasia que as mentirosas promessas.

Que viva a vida, como ela é, sem reclamações e exaustão, mas que ainda,
contigo fantasie, impulsione a uma existência satisfatória
Na qual a realidade até que basta porém, onde as fronteiras dos sonhos sejam transponíveis
Que habite tua alma neste tempo, por completo, repleta, inteira.
Seja ela (a pessoa do teu amor) o ânimo, o ganho,
desde o desabrochar até o “enquanto vingar”

Que seja contigo, na juventude ou no tempo dos sem mais tempo.
Que te confunda com seus valores, para que te aquiesças às novas descobertas.
Seja ela imperfeita, terminal, mas que seja infinita como marca perene em tua alma
Que a encontre, que seja encontrado por ela.
Que a mantenha, detenha e impressione. Por fim que a ame,
E que por ela seja amado

Texto: Luciane Trevisan Leal

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Amebas são de Marte. Mulheres são de Vênus



Às tristes e amargas feministas contemporâneas, direciono minha carta.

Por favor, me acudam! Não me farei de rogada.
Me digam se estou mesmo perdida, relegada à solidão.
Acuada, não pela perda, mas pelo não ganho da paixão.

Vocês. Ditas criadoras dos dissabores modernos.
Detentoras, da talvez equivocada independência.
Me digam. Perecei mesmo?
Por que amebas são de Marte e mulheres são de Vênus?

Também vocês, donas de si mesmas, traçam o caminho do impossível?
Procurando escapar das ventosas de algum sanguessuga temível
Daqueles andarilhos errantes ou amebas volantes
Que para vocês se autodenominam os grandes deuses amantes?

E vocês, que pagam seus pecados
Mas também a própria taça de champagne.
Que ninguém se engane! Não são ingênuas mentes pensantes
Mas continuam tão dependentes dos mesmos meliantes?

Também vocês, deixam de participar suas dores
Sucumbem a seus temores e dispensam verdadeiros amores
Perdidas em meio à mentira que vier, ao tratado que der
Para se esconder atrás de uma fachada qualquer

Me corrijam se estiver errada. Me apontem o que fazer
Pois já não passo da vontade de apenas me entreter
Como posso viver tendo de deixar de ser
Para que a alguém tenha que enaltecer?

Infelizes que sejam, mas seguras aos que eventualmente as vejam.
Mulheres de Vênus. Pergunto: em que mundo vivemos?
Amebas são de Marte… e que fiquem a parte
Mas como deles escapar para que do amor se faça arte?


Texto: Luciane Trevisan Leal
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A Linguagem da Arte

Fotolia




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A linguagem da arte. Une, aproxima, convence.
O artista evoca e conclama a beleza ou a tristeza.
Musicaliza a dor, o amor. Pinta a guerra e a Paz.
Compõe a fossa e a bossa. Esculpe anjos e demônios.
Expressa até mesmo o impensável,
o não dito com palavras ou gestos.
Desmistifica os deuses, glorifica os santos, entoa cantos.
Atravessa a barreira da alma mais reclusa
Derruba a defesa do espírito mais atemorizado.

A linguagem da arte teatraliza a vida.
Exibe a beleza até do mais profundo dissabor.
Exalta a amizade e a lealdade. Abomina a indiferença
Sugere a virtude no desvario. E do desatino faz poesia.
Dá a escuridão suas variadas formas.
E nos liberta dela, com música e versos.

A linguagem da arte mobiliza e movimenta
Impõe a viagem rumo ao novo
Resgata o passado, cede significado ao presente,
vislumbra o futuro.


O artista declara o que não conseguimos expressar, o faz como ninguém. 

Mas nos inspira, ainda, a fazer a nossa própria arte
E a fazemos com nossas vidas, nos tornando as grandes estrelas do nosso teatro.



Texto: Luciane T

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Censurada






Censurada por ter pressa. 

Por não querer ver o tempo passar, 
sem realizar, sem celebrar, sem se impressionar.
Censurada ainda por querer se surpreender. 
Por não querer se modular, por não concordar, 
por não acordar, por não se adaptar.
Censurada por se arriscar. 
Por incorrer no erro e não temer, 
não se conter ou suprimir, não se anular.
Censurada por aqui estar querendo se expressar.
Falar por falar, ou simplesmente não comentar.
Censurada por ter opinião. 
Por não admitir senão, por não consentir com o não. 
Censurada por amar. Na dor, no dissabor,
também na glória e na vitória.
Com tempero, sem gosto e ainda... no desgosto.
Censurada por perder a noção, o limite. 
Por ansiar encontrar aquele em quem se perde. 
Censurada por chorar, se emocionar, acreditar e desacreditar
Censurada por querer viver sem parar, ou parar para se modificar.
Censurada por não querer acordar.

Texto: Luciane Trevisan Leal

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