Sobre o Uso do Imperativo a Seu Favor

Amor - Michelangello
Compactue com seu espaço. Interaja com o planeta, com nossa Galáxia. Tome parte das mudanças que estão ocorrendo de forma cada vez mais veloz. Entenda, de uma vez por todas, que você é parte de algo muito maior. Permita-se ter a dimensão dessa grandeza, contemple a infinitude. E assim compreenda o quanto outras coisas são tão menores. Seja grande, a partir do entendimento do quão pequeno és.
Muna-se da força, mas não deixe de mostrar o quanto pode ser fraco e o quanto precisa da força do outro. Doe-se, seja solidário, mesmo com aqueles que você não ama, mas não se perca em meio à sua solidariedade. Não silencie suas dores, para que não sofras de padecimento maior com certas ausências. Ame a quem te ama. Valorize quem te valoriza. Deixe-se iludir, e não deixe-se violentar. Entenda-me: a ilusão é parte integrante da vida de fato vivida e a violência, muitas vezes, está em não se permitir iludir.
Sinta mais. Racionalize menos. Desde de que isso não faça mal ao ambiente que te cerca. Quando pensar, pense depressa e fale devagar. Escute demais e fale de menos.
Leia, leia, leia. Agarre-se à sua curiosidade. Não se permita viver na mesmice. Ela cega, aleija, impede o movimento rumo ao novo. Leia de tudo, ouça de tudo e crie um senso crítico que te permita saber onde está pisando.
Esteja de fato no mundo, e permita que ele te receba. Viva de maneira intensa, já que não sabe quanto tempo ainda te resta. Faça do tempo seu aliado e não seu inimigo. Aprenda com ele, e não se amargure com as impossibilidades que ele te apresenta.
O mundo contemporâneo nos impõe uma necessidade de se proteger todo o tempo. Nos protegemos de nossos amigos, de nossa família, de nosso parceiro. De nossa cidade, de nossos vizinhos. Nos protegemos da decorrência de nossas angústias, de nossas insatisfações. Nos protegemos de nós mesmos, com mais empenho do que nos encorajamos para a realização de nossos sonhos. Não se proteja tanto: sonhe! E não sonhe em vão: realize.
Não espere que o outro mude. Acredite-me! Não mudará. Ao menos aos seus olhos não mudará. Quem deve mudar é você. Mude a sua relação com a perspectiva da mudança do outro. Não jogue fora seus valores, mas aprenda a conviver com eles. E aprender a conviver com eles passa por não julgar os valores daqueles que te parecem contrários. Aprenda a apreender o que há de melhor no outro. E para isso, muitas vezes, é preciso se desprender de seus conceitos sobre o que é de fato o melhor.
Trace objetivos. Siga metas. Tenha retidão na vida. Mas não esteja distraído! Note que a curva no caminho apresenta boas oportunidades e possibilidades. Esteja atento a elas. Escolha a que melhor lhe couber. Eleja a mudança de trajeto que te levará onde você quer chegar, e ainda te trará uma nova paisagem para contemplar e talvez outras surpresas, que vêm acompanhadas da brisa suave que sopra de um lugar desconhecido.
Faça história, mas não permita que sua vida seja só mais uma história. Faça a diferença! Seja para você mesmo, para àqueles que você ama, para os que você não ama, para a rica natureza a seu redor. Você muitas vezes vai sair ferido, vai sentir falta de abrigo e alguém para curar suas feridas. Vai sentir vontade de esquecer e vai odiar não se lembrar. Vai implorar por um momento só e vai ao mesmo tempo amaldiçoar sua solidão. Vai se sentir um dublê de si mesmo, e na mesma medida um grande protagonista de sua própria vida. 
É assim, isso é existir. Que graça teria se não fosse assim?

Texto: Luciane Trevisan Leal

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito do texto. Parabéns.

Philo Philos Pachem disse...

Valeu a indicação. Foi uma leitura deliciosa.

Adorei o seu perfil, palavras bem usadas.

Continuação, e Paz

Philo

miluzcintila disse...

A plenitude de sermos sempre nos mesmos supera qualquer dor ou decepção - Acrdite, nos torna fortes e perenes!
mirna

Cristina Pessoa disse...

Como este texto caiu-me como uma luva. Não sei me expressar tão bem, mas sempre tive em mente e agi até agora conforme nos aconselha a escritora a quem dou os parabéns. À exceção do "nos proteger", precisamos sim, mas com a sabedoria do equilíbrio, pois senão o sofrimento inevitavelmente acontece e acabamos por nos esquecer de nossas próprias conquistas de opinião. Obrigada pela leitura, fazendo vir a tona minhas próprias convicções. Abraços!

 

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