Permanência: sobre a ótica moral

Juízo Final - Michelangello

Temos enraizado na cultura ocidental uma idéia de permanência, valorização da tradição e forte resistência ao novo. Pode parecer absurdo falar disso dada a maneira que figura a ciência atual, o pensamento contemporâneo e o desenvolvimento da própria tecnologia. No caso desta última, por exemplo. Cada vez mais obsoletos estão as tantas opções de eletrônicos disponíveis, os quais hoje julgamos essenciais à nossa vida. O capitalismo, com sua sociedade de consumo voraz, nos faz reféns da indústria da modernização contínua. Buscamos sempre os modismos. Gostamos, e de certa forma precisamos estar atualizados com as últimas novidades. Então parece estranho falar de resistência ao novo em uma sociedade que busca constantemente estar sincronizada com as últimas tendências. Mas vejamos. Talvez pareça menos controverso se entramos no campo da moral e da ética.
Há uma certa permanência de atitudes que parecem não estar condignas com o contexto atual. De forma a não perder o fio da meada ou me estender demais, cito o caso específico da religião, no que se refere a pensar moral e ética. É sabido que seja qual for a escolhida, a religião em muitos casos não deixa de simbolizar apenas a melhor saída para os conflitos gerados por aquilo que não se compreende bem. De certa forma, uma fuga da realidade, um lugar confortável para vislumbrar o inexplicável. Não falo aqui de espiritualidade, mas da vivência dogmática que a religião busca promover. O que quero dizer é que: ser religioso está longe de significar uma existência espiritual de fato. Dogmas inquestionáveis, regras rígidas e autoritárias sobre a conduta humana, não levam indivíduo nenhum ao auto questionamento, a pensar de maneira transparente sobre sua atuação na sociedade e com seu próximo. O que ocorre é que na busca por atenuar o peso das angústias e dissabores da vida, buscamos “alguém” com quem dividir ou até mesmo entregar definitivamente o fardo que não damos conta de carregar sozinhos. Passamos às vezes a vida fazendo bobagem atrás de bobagem, e esperamos que alguém possa se responsabilizar por elas. Para não repetir as frequentes “falhas de conduta”, nos rendemos à dogmas, e imaginamos que seguir certas regras impostas de comportamento, vai nos fazer pessoas melhores. Ledo engano. Resta a todos assistir de camarote aos fanatismos que levam ao preconceito e a intolerância. De vítimas de uma sociedade confusa, passamos a detentores da mais soberana verdade. Antes julgados, agora juízes. O que de fato ocorre é que somente transferimos nossas falhas de caráter para um outro foco. Nossa conduta continua intransigente frente aos demais. A predisposição a olhar apenas para si, o que nos leva a realizar todas as grandes besteiras no decorrer da vida, não desaparece com a conduta moral dita exemplar, só encontra um outro lugar de morada.
Não só no aspecto religioso, mas em qualquer setor de organização social, isso ocorre com qualquer um que queira subjugar o outro à sua verdade. A permanência, a qual me referi acima, está aí. Desde que o mundo é mundo sempre houveram os subjugados e os donos da verdade. Nos comportamos dessa forma desde sempre. Subjugamos o outro às nossas verdades morais, me parece que mais para exercitar nosso egoísmo – fazendo o outro viver da maneira que achamos justa – do que para expressar um desejo genuíno de uma sociedade mais transparente e altruísta.
A meu ver a única maneira de modificar essa realidade é pela educação. Abertura para o mundo no lidar com as novas formas nas relações. Compreender de maneira mais abrangente a dinâmica das relações na sociedade atual é deixar a inércia de um discurso moralizante ultrapassado. Leitura, informação, construção de um senso crítico que transponha os dogmatismos, é a saída para entender o outro e nós mesmos como atores em nosso tempo. A ignorância nos transforma em seres intransigentes e nos distancia. O conhecimento nos faz mais flexíveis e nos aproxima.

Texto: Luciane Trevisan Leal

8 comentários:

Guigo Marangon disse...

Noss Belissimo post

http://ownedando.blogspot.com/

Guilherme Bandeira disse...

Sou a favor do novo quando nos da algum beneficio real...hoje em dia existem grandes invençoes ara pequenos problemas.

adorei seu blog

www.olhaquemaneiro.com.br

Guilherme Bandeira disse...

Sobre isso ou sobre aquilo, adorei seu blog...rs...

Obrigado pela visita...agora estarei smepre por aqui...vai ter q me aturar...rs


www.olhaquemaneiro.com.br

Móó legal disse...

cara...publica isso!
UEHUAheuaHEUHauehuAHEUhaeuhauehuaH
O CONHECIMENTO NOS FAZ MAIS FLEXÍVEIS é a pura verdade!
parabéns pelo post!!!

fabio disse...

è verdade,eu realmente tenho uma certa resist~encia ao novo..rs o novo em geral..mas qdo começo a conhecer o novo caio de cabeça rssr..Seremos sempre engolidos por esse avanço e consumo mundial neh!! bjos dorei!!

Novos dias disse...

Seremos engolidos se quisermos e se deixarmos. Nós somos donos das nossas vidas e escolhemos as verdades que queremos seguir. A saída para o "mal da modernidade" é a fidelidade às nossas convicções e o respeito às diferenças, essenciais e que nos tornam únicos...

Beth Cruz disse...

Você é brilhante!
Fiquei apaixonada por seus textos, rsrsss. A educação é com certeza o caminho.
Essa é a parte que eu mais gosto do dihitt, ele nos dá a possibilidade de descobrir pessoas brilhantes como você.
Parabéns,
Beijo

Anônimo disse...

pessoas como voce somente engrandece o pensamento positivo,motiva as pessoas a não estacionarem no tempo e não cairem no marasmo do dia dia

 

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